10-encaminhado
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, Espécie de acessório ou sobressalente próprio, Arredores irregulares da minha emoção sincera, Sou eu aqui em mim, sou eu. Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma. Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
Álvaro de Campos
e faz carinho na minha cabeça
Senta aqui
theme por renato-07-12 ©

Passou a misturar todos os refrigerantes em um copo só de vez em quando.

Como era de rotina, acordava, tomava seu banho, bebia café (daqueles bem fortes, que te fazem ficar elétrica), dizia tchau à mãe, e saía. Às vezes quando tinha tempo, ainda brincava um pouco com seu cachorro. Andava alguns quarteirões para pegar o ônibus, e sempre tropeçava numa pedra, e ficava rindo de si mesma. Ela se sentia responsável, como se fosse uma daquelas meninas autoritárias que só precisam dela mesma para viver. Chegava no colégio, e com aquela cara de sono ia até o terceiro andar para ter aula. E como eu disse, todo dia era assim. Talvez ela nunca havia pensado no esforço que faz em seu dia-a-dia, mas ela tinha consciência que precisava se dedicar aos estudos. Não era daquelas moças ricas, sua mãe trabalhava numa lanchonete que não ficava tão longe dali, e sempre fazia questão de pegá-la na escola. A menina via aquilo como um mico, afinal todo adolescente pensa assim, ou pelo menos quase todos. Todavia, a menina tinha uma paixão, daquelas de só pensar no menino, e às vezes se perder em seus próprios pensamentos. Apesar de ela não saber se era recíproco, ela continuava o amando. Ele era daqueles garanhões, daqueles meninos que quando vão numa festa apontam e falam: “Hoje é aquela.” Ela tinha inveja de vez em quando, mas não queria ser taxada por todo o colégio como puta, menina fácil, ou qualquer outra coisa. Na verdade era religiosa, mas não ao extremo. Não era muito de arranjar encrenca, porém quando ficava com raiva, soltava todos os palavrões de uma vez só. Como toda garota, tinha amigas, e tinha uma melhor amiga, na verdade uma irmã de coração. Essa tal “bff”, como alguns chamam, sempre falava para ela correr atrás de seus sonhos, não desistir, e tudo mais. Se ela ouvia? Poucas vezes, na verdade era muito raro ela ouvir qualquer pessoa. Ela era sempre muito contraditória, aprendeu a ser assim com a morte de seu pai, pois nunca aceitou tudo isso. Voltando ao menino, ele tinha olhos castanhos, cabelo num tom de mel perfeito, e apesar de ter fama de pegador, todos sabiam que ele só queria amar alguém. Nunca tinha amado. Só pensava em fazer besteira, nunca quis um relacionamento sério. Seu namoro mais duradouro foi de 3 dias, que ao meu ver chega a ser ridículo. Ele era daqueles que sem perceber, quebrava seu coração e saía. Até que um dia, numa pequena festa que ele tinha sido convidado, a menina também tinha sido. Imagina o que poderia acontecer! Ninguém quer ver um coração se despedaçando. Como sempre, a menina era pontual, e chegou na festa às 8 horas, como estava escrito no convite. O menino? Chegou as 9, e deu a simples desculpa de que perdeu a hora. Nossa, acho que os meninos pensam que as meninas são bobas, fazer o que? Quando a garota o viu, pensou: “E se eu for a menina que ele vai apontar?”. No começo, ela conversava com uma de suas amigas, e o menino, sentado na mesa ao lado, conversava com quase todos da festa, e misturava todos os refrigerantes num mesmo copo, meio clichê, mas foi a realidade. Até que essa mistura toda caiu da mesa onde o menino estava, e o copo caiu perto do pé da menina. Ela simplesmente juntou todos os cacos de vidro, e jogou fora. E ele falou valeu, mas com um tom amoroso. Ela sentiu que na festa, ele ficava a olhando, mas pensou que só fosse mais uma de suas ilusões. Passaram-se dias, e a menina ainda o amava. Depois de muito tempo, ela fez aniversário, mas não teve a mínima vontade de comemorar […] Vendo TV, parou no canal de notícias, o que não era muito comum, e prestava muita atenção nas palavras do repórter. Tinha algo falando sobre um menino bêbado que bateu em um carro, e estava internado em estado grave. Já no final da reportagem, eles falaram o nome do menino, de que escola era, falaram tudo. E era Cauã. A menina chorou, chorou e chorou, pois tinha certeza que era seu amado. Ela queria ir até o hospital vê-lo, mas não foi. Pensou, e falou para si mesma: “Ele não deve nem lembrar de mim, o que adianta eu ir até lá?” E permaneceu em casa, ligou pra sua amiga e desabafou. Desabou, na verdade; de novo, sua amiga disse para ela ir até lá, e ela não escutou sua amiga, como o previsto. Então, a polícia ligou para a casa dela, e falou que precisava que ela fosse até a delegacia. Passaram milhares de coisas em sua cabeça, principalmente em relação ao garoto, contudo ela ignorou tudo e correu, ansiosa para entender o motivo da polícia tê-la chamado. Chegou até lá, e uma moça chamada Roberta a levou até a sala de um dos policiais, acho que era aqueles que são os mais importantes, como um tipo de chefe. Antes que ela pudesse perguntar o que havia acontecido, o policial deu uma folha, com um texto digitado. Ela começou a ler: “Não quero ser mais esse garoto que todos falam que é galinha, não quero mais que pensem que eu não amei, nem que seja por um dia. Quero que todos saibam que dentro de mim ainda resta algo que me salva. Quero que todos entendam que minha vida não é só feita de coisas fáceis. Nunca fui muito de escrever, mas do jeito que estou sei que vou acabar no hospital. Tenho bebido demais, mas é como um vício, não tenho mais controle sobre mim mesmo. Mas… na verdade escrevi isso para falar de uma menina chamada Rebeca. Ela não deve nem saber que eu existo, ou sabe, enfim. Desde o dia da festa em que ela estava lá, e eu derramei aquela mistura de refrigerantes em seu pé, não consegui parar de pensar nela. Aposto que ela não reparou o quanto eu a olhava. Não sei se ela reparou também que logo depois que eu a vi, eu passei a não ser mais “o pegador” da festa. Quer saber? Eu a amo, apesar de nunca falar com ela, apesar de nunca tocá-la, eu a amo mais que a mim. Consegui o número dela através de um amigo nosso, mas cadê a coragem? Nunca vou conseguir ligar ou até mandar uma mensagem. Tenho medo, essa é a verdade. Mas agora, você que está lendo isso, ligue para ela, o número está salvo nos meus documentos, bem do lado desse texto e diga que eu a amo, diga que eu sempre a quis para mim, e dê essa carta a ela. Te amo, pequena.” Quando acabou de ler, a folha já estava toda molhada por conta de tantas lágrimas. Quando ela ia sair correndo para vê-lo, o policial disse que não adiantava mais. Com aquela voz de homem, ele disse: “Ele morreu, faz umas 5 horas.” A menina não conseguia parar de chorar, e só pedia a Deus que um milagre acontecesse. Mas não, ele realmente não estava mais aqui. Mesmo chorando todos os dias, a menina seguiu em frente. Mas ela ainda se arrepende, de ter deixado de tomar iniciativa, para conseguir conquistar seu primeiro amor.
— Marina Vaz 



Tão longe do meu coração, mais tão perto do coração dele



Que se foda você que só pensa em fama




Porque pessoas so querem o que nunca terão ?



Se eu tivesse tomado um atalho, uma rua estreita qualquer, que tipo de pessoa eu teria me tornado? Não sei. Mas gostaria muito de saber. Pelo retrovisor, vejo todas as pessoas que eu poderia ter sido e não fui.
O Teatro Mágico 



E mesmo quando eu falo contigo o dia inteiro, na hora de dormir ainda me bate uma saudade imensa de você.
Vinícius Kretek




Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo.
Alcione